Úlcera venosa: o que é, sintomas e por que ela não cicatriza sozinha

O que são feridas? Entenda tipos, cicatrização e quando procurar ajuda
4 de junho de 2026

Aquela ferida na perna que não fecha há meses — ou anos. Que melhora um pouco, piora de novo, e já passou por dezenas de pomadas e curativos. Se essa história parece familiar, há grande chance de se tratar de uma úlcera venosa: a causa de cerca de 80% das úlceras de perna.

A boa notícia? Com o diagnóstico certo e o tratamento adequado, a grande maioria das úlceras venosas cicatriza. O problema é que muitas pessoas passam anos tratando apenas a ferida — sem tratar a doença que está por trás dela.

Ainda não leu? Veja também: O que são feridas? Entenda tipos, cicatrização e quando procurar ajuda e Avaliação de feridas: como funciona e por que vai além do curativo

O que é úlcera venosa?

A úlcera venosa é uma ferida aberta na perna causada pela Insuficiência Venosa Crônica (IVC) — uma doença em que as veias das pernas não conseguem mais bombear o sangue de volta ao coração com eficiência.

Para entender de forma simples: as artérias levam o sangue rico em oxigênio para as pernas, e as veias fazem o caminho de volta, levando o sangue “usado” para ser renovado. Quando as válvulas das veias falham, esse sangue fica acumulado nas pernas, aumentando a pressão dentro das veias — a chamada hipertensão venosa.

Esse acúmulo impede a chegada adequada de oxigênio e nutrientes aos tecidos. A pele vai sofrendo: surgem manchas escuras, inchaço, eczemas e, por fim, a úlcera.

Sinais e sintomas: como reconhecer

A úlcera venosa raramente aparece do nada. Antes dela, o corpo costuma dar vários avisos:

  • Sensação de peso e cansaço nas pernas, que piora ao fim do dia;
  • Inchaço nos tornozelos e pernas;
  • Varizes visíveis;
  • Manchas escuras na pele, principalmente perto do tornozelo;
  • Câimbras frequentes;
  • Coceira na pele da perna.

Quando a ferida aparece, ela costuma ter características próprias: localiza-se geralmente na parte de baixo da perna, perto do tornozelo, é escavada e profunda, libera bastante secreção e, na maioria das vezes, dói pouco — diferente das feridas arteriais, que doem muito.

Quem tem mais risco?

A insuficiência venosa tem forte relação com a rotina e o histórico de cada pessoa. Os principais fatores de risco são:

  • Profissões com longas jornadas em pé ou sentado: garçons, costureiras, motoristas, cozinheiros, vigilantes, professores e profissionais de saúde;
  • Histórico familiar de varizes, trombose ou úlceras;
  • Trombose venosa anterior;
  • Obesidade, que sobrecarrega o sistema venoso;
  • Sedentarismo: a musculatura da panturrilha (a “batata da perna”) funciona como um segundo coração, bombeando o sangue de volta — sem movimento, esse bombeamento enfraquece;
  • Múltiplas gestações.

Por que pomada sozinha não resolve?

Essa é a pergunta mais importante deste artigo. A úlcera venosa é a consequência — a causa é a pressão alta dentro das veias. Enquanto essa pressão não for controlada, nenhum curativo, por melhor que seja, resolve de forma duradoura. É por isso que tantas pessoas convivem com a mesma ferida por anos, trocando de pomada sem sucesso.

O tratamento eficaz atua em duas frentes ao mesmo tempo: a ferida e a doença venosa.

Como é o tratamento da úlcera venosa?

Terapia compressiva: o padrão-ouro

O tratamento mais eficaz para a úlcera venosa é a terapia compressiva — o uso de ataduras ou meias elásticas que comprimem a perna de forma técnica e controlada, do pé ao joelho. A compressão reduz o acúmulo de sangue nas pernas, melhora o retorno venoso e potencializa o trabalho da musculatura da panturrilha.

Entre os métodos mais utilizados estão o enfaixamento multicamadas, a bota de Unna (uma bandagem que endurece e molda a perna) e as meias elásticas de compressão gradual.

Um alerta fundamental: a terapia compressiva só pode ser feita após avaliação profissional. Antes de comprimir, é obrigatório confirmar que a circulação arterial está preservada — em pessoas com doença arterial, a compressão é contraindicada e pode causar danos graves, incluindo risco de amputação. É mais um motivo pelo qual o enfaixamento por conta própria é perigoso.

Curativos adequados a cada fase

A úlcera venosa costuma liberar muita secreção, e o excesso de umidade machuca a pele ao redor e atrasa a cicatrização. Por isso, são usados curativos especiais com alta capacidade de absorção, além de coberturas antimicrobianas quando há sinais de infecção. A escolha muda conforme a fase da ferida — daí a importância da reavaliação a cada troca.

Cuidados que dependem de você

O paciente é parte ativa do tratamento:

  • Elevar as pernas ao repousar, sempre que possível;
  • Praticar atividade física orientada, fortalecendo a panturrilha;
  • Evitar longos períodos em pé ou sentado sem pausas para movimento;
  • Controlar o peso e as doenças associadas.

A ferida fechou. E agora?

Aqui mora uma das informações mais importantes — e menos faladas: o tratamento da úlcera termina, mas o da insuficiência venosa continua para sempre.

A úlcera venosa tem alto índice de recidiva, ou seja, de voltar. A principal arma contra isso é o uso rotineiro e correto das meias elásticas de compressão após a cicatrização. Pacientes que mantêm esse cuidado dificilmente veem a ferida retornar — e ganham qualidade de vida.

Perguntas frequentes

Úlcera venosa tem cura?

A ferida, sim: com tratamento adequado, a grande maioria cicatriza. A insuficiência venosa, que é a causa, é uma condição crônica que precisa de controle contínuo — principalmente com compressão e mudanças de hábitos.

Quanto tempo leva para a úlcera venosa cicatrizar?

Varia conforme o tamanho da lesão, o tempo de evolução e a adesão ao tratamento. Com terapia compressiva bem indicada e curativos adequados, a evolução costuma ser visível em poucas semanas.

Posso usar meia de compressão por conta própria?

Não é recomendado. A meia errada — ou usada por quem tem doença arterial não diagnosticada — pode causar mais dano que benefício. A compressão certa, no grau certo, é definida após avaliação vascular.

Úlcera venosa dói?

Na maioria das vezes, dói pouco — diferente das úlceras arteriais e hipertensivas, que são muito dolorosas. Mas a ausência de dor não significa que a ferida não seja séria.

Uma ferida antiga pode virar algo mais grave?

Úlceras de longa duração merecem atenção especial: em casos raros, podem evoluir para lesões malignas. Feridas com aspecto vegetante, que crescem ou sangram com facilidade, devem ser avaliadas e, se necessário, biopsiadas.

Conclusão

A úlcera venosa é a ferida crônica mais comum nas pernas — e também uma das mais negligenciadas. Tratar apenas o curativo, sem cuidar da insuficiência venosa, é enxugar gelo. Com avaliação correta, terapia compressiva e acompanhamento, essa é uma história que pode ter fim.

Convive com uma ferida na perna há meses ou anos? A Cicatriza é especializada no tratamento de úlceras venosas, com avaliação vascular completa e terapia compressiva individualizada. Agende sua avaliação.

Este conteúdo foi adaptado do livro “Feridas e Curativos”, de autoria da equipe Cicatriza, e tem caráter informativo. Ele não substitui consulta com profissional de saúde.

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